O stress em canil – causas e sintomas

Às vezes, depois de se apaixonar por um animal que conhece através de uma fotografia ou video divulgado online, o primeiro encontro através das grades pode ser uma experiência desconcertante.

Nunca rejeite uma adopção com base na forma como o animal se comporta dentro do canil. Saiba porquê.

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O Riscas no seu canil, na ALAAR

Por vezes, um animal é tão amoroso que nos consegue cativar mesmo através das grades do canil onde tem passado grande parte do seu tempo, normalmente e infelizmente, durante meses.

 

Contudo, o que é mais provável que encontre quando se aproximar das grades é um cão que demonstra algum nível de “stress de canil”, por estar a viver, mesmo com os melhores cuidados e amor que lhe possamos dar, em condições que não satisfazem todas as suas necessidades físicas, emocionais e mentais.

Porque é que o cão fica stressado no canil?

1) Os cães, ao longo da sua evolução genética, foram-se tornando naturalmente dependentes das pessoas: eles precisam de nós para obter comida, companheirismo e segurança. Nos canis o contacto com pessoas é muito limitado e isso cria normalmente um stress mental acrescido nos animais.

2) Os cães gostam de observar o ambiente à sua volta mas, nos canis, esta actividade é sempre limitada, por mais que se tente melhorar as instalações para minimizar este impacto. Isto pode ser incrivelmente confuso e stressante para um cão.

3) Embora se trabalhe para manter boas condições de higiene e salubridade, os canis são locais que chegam a albergar dezenas ou até mesmo centenas de animais num espaço limitado. Por essa razão estes tendem a ser espaços barulhentos e com cheiros intensos. Os cães são animais com uma audição fabulosa e um olfacto ainda mais apurado e estes locais tornam-se uma enorme sobrecarga sensorial para os animais, especialmente quando alguém estranho se aproxima e grande parte dos animais reage.

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O confinamento num canil traz um stress acrescido aos animais

4) Os cães não gostam de comer ou dormir perto do local onde fazem as suas necessidades. Eles podem aprender a tolerá-lo mas em geral isso é algo que os incomoda e, por mais que naturalmente queiramos manter os canis limpos, os animais passam por esta situação.

5) Os cães estão “programados” para se mexerem, para correrem, para cheirarem, para observarem, para brincarem, para roerem e para cavarem. Tudo isto são comportamentos inerentes à sua espécie e proporciona-lhes quer estimulação física quer estimulação mental. Contudo, num canil, os seus movimentos são limitados e, mesmo com os cuidados de voluntários que tentam passear rotativamente os animais, o mais provável é que isso não seja suficiente para satisfazer as necessidades de exercício físico e estimulação mental e que, o excesso de energia e o tédio criem stress e frustração.

6) Parte dos cães que se encontram no abrigo foram previamente animais de companhia que, mesmo nos casos de maus tratos, muito provavelmente, em alguma altura da sua vida, conheceram o conforto do interior de uma casa ou da atenção dada por um dono. Outros são animais mais solitários ou independentes que por falta de socialização ou por experiências traumáticas não se sentem confortáveis na presença de outros cães ou gatos, machos ou fêmeas e que, enquando eram animais de rua, podiam evitá-los. Em ambos os casos, quando os animais são recolhidos, o abrigo é para eles um novo ambiente no qual existe um stress adicional que anteriormente não existia: para os primeiros deixou de existir o ambiente acolhedor de uma casa e para os segundos a possibilidade de se afastarem e não conviverem com outros animais.

Quais são os sintomas de stress de canil?

Sabendo quais as causas inerentes ao stress de canil, é mais fácil perceber porque é que, quando se visita um animal no abrigo,se pode encontrar cães que:

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Os cães são animais programados para se mexerem e cheirarem. Quando retirados do canil é comum ver a maior parte dos comportamentos resultantes do stress de confinamento, desaparecerem em 15 ou 30 minutos

– ladram incessantemente

– saltam para as grandes ou para a porta do canil

– retraem-se e recuam para o canto do seu espaço dentro do canil que esteja mais afastado da porta

– parecem estar petrificados ou desinteressados em interagir connosco

– estão demasiado excitados

– estão fixados na porta do canil

 A boa notícia é que, quando o cão é retirado de dentro do canil, grande parte destes comportamentos tendem a desaparecer rapidamente.

Ladrar ou saltar contra as grades do canil são formas que o animal encontra de demonstrar que quer ser solto. Pode-nos parecer um comportamento preocupante ou perigoso mas para um cão é uma maneira bastante razoável de comunicar a sua frustração.

Isto significa que se adoptar o animal ele se vai comportar assim em casa? Não, de todo.

O comportamento num canil não é o mesmo que o comportamento num lar.

Fora do canil poderá ainda ver um cão que puxa à trela, salta para cumprimentar as pessoas ou que está demasiado excitado ou demasiado tímido. Estes comportamentos tendem a diminuir com um pouco de exercício e interacção.

É impossível prever como um animal se irá comportar no seu novo lar mas o que normalmente acontece é que o seu comportamento melhora bastante mesmo nos primeiros 15 ou 30 minutos fora do canil. No caso dos animais demasiado tímidos ou medrosos, está perante um caso de um animal que precisa primeiro de ganhar confiança e perceber que não é apenas mais uma pessoa que o irá abandonar ou maltratar.

 Por isso, sempre que estiver a considerar adoptar um animal, nunca o rejeite exclusivamente com base na forma como ele se comporta dentro do canil.

Incentivamo-lo a passar algum tempo com ele numa zona vedada mas segura das instalações, onde ele o poderá cheirar e lhe pode dar uns biscoitos, fazer umas festinhas ou interagirem numa brincadeira, num ambiente mais calmo e mais relaxado.

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Zona vedada do abrigo da ALAAR onde pode interagir com o animal de forma mais relaxada

Fora do ambiente stressante do canil, muitos animais conseguem demonstrar a sua personalidade! 

A ALAAR possui um amplo espaço vedado onde poderá interagir com o animal longe do barulho da zona de canis e poderá fazê-lo as vezes que considerar necessárias para tomar a sua decisão. Adoptar um animal é uma decisão séria e que não deve ser tomada de ânimo leve, pelo que, na ALAAR, estamos sempre disponíveis para ajudar no que pudermos para que cada animal encontre o lar perfeito 🙂

O que é que pode trazer para uma visita ao abrigo?

– uma mente aberta

– alguns biscoitos ou um brinquedo interessante que podem facilitar a criar confiança e uma ligação com o animal

– um pouco de paciência

– um coração aberto

Fonte: https://saccountydogs.com/adoption/visiting-dogs-at-the-shelter/

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